Com custos logísticos em disparada e margens de lucro comprimidas, empresas buscam na reestruturação de dívidas e na recuperação judicial o fôlego necessário para evitar a insolvência e proteger o patrimônio diante da incerteza econômica global
O aumento no preço do óleo diesel nas refinarias ultrapassa a barreira dos custos logísticos e se consolida como um gatilho de instabilidade para toda a economia brasileira. Em um cenário pressionado pelos conflitos no Oriente Médio e pela volatilidade do dólar, o empresário nacional enfrenta um dilema crítico: repassar o aumento ao consumidor final — correndo o risco de perder competitividade — ou absorver os custos, sufocando as margens de lucro e elevando o endividamento.
Este "efeito cascata" atinge desde o pequeno transportador até a grande indústria, gerando uma pressão inflacionária que reverbera em toda a cadeia produtiva. Segundo o advogado especialista em Direito Empresarial, Charles Duvoisin, o momento exige que a gestão de passivos seja tratada como prioridade estratégica para evitar que dívidas bancárias ou com fornecedores se tornem impagáveis em curto prazo.
"O diesel é, literalmente, a mola propulsora do setor produtivo brasileiro. Quando ele sobe sob pressão internacional, o impacto é psicológico e financeiro. Muitos empresários aumentam seus preços pelo simples informe de que haverá impactos ou motivado pela negatividade que acompanha a economia. Outros tentam 'segurar o preço' para não perder mercado, mas acabam recorrendo a linhas de crédito emergenciais com juros altos, criando uma bola de neve que compromete o patrimônio da família e da empresa", explica Duvoisin. Não está fácil driblar a crise. Exige estratégias.
A Recuperação Judicial como alternativa
Dados recentes do setor indicam uma tendência de alta nos pedidos de falência e recuperação judicial (RJ). Para Duvoisin, o segundo semestre de 2026 deve consolidar um novo perfil de uso da RJ: o fim do estigma de "pré-falência" para dar lugar à estratégia de preservação.
"A Recuperação Judicial precisa deixar de ser um tabu. Quando bem utilizada, ela funciona como uma blindagem que permite à empresa manter empregos e faturamento enquanto reorganiza o fluxo de caixa. O erro comum é esperar o caixa zerar para buscar ajuda; o momento de agir é quando a capacidade de investimento é substituída pelo pagamento exclusivo de juros", pontua o especialista.
Proteção de Patrimônio e Renegociação
Outro ponto de alerta levantado pelo especialista refere-se à proteção de bens diante de execuções judiciais. Com o endurecimento das medidas de cobrança bancária, a renegociação preventiva de dívidas surge como o caminho menos traumático. Charles Duvoisin destaca que o foco deve ser a preservação da operação, evitando que bens essenciais à produção sejam penhorados e eventualmente leiloados, o que inviabilizaria qualquer tentativa de reestruturação futura.

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